Licenša Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-SemDerivações 4.0 Internacional.
by:Cruz.Orlando

MATA ATLÂNTICA DO CACAU

Mata Atlântica Sul da Bahia

A Mata Atlântica no Sul da Bahia no ano de 1945 possuia uma área de 2.235,900 hectares, sendo 2 milhões ou seja 85%, da sua área total de florestas. O desmatamento ocorria apenas nas desembocaduras dos rios.
Segundo estudos, até o ano de 1960 o desmatamento evoluio pouco, ocorrendo principalmente nas áreas costeiras e próximo a divisa com Minas, em decorrência da expansão da pecuária naquele Estado.
A partir dos anos de 60 a 74 , a área comecou à apresentar um acentuado processo de desmatamento, fato este motivado pela inauguração da BR 101e a implantação dos pólos madereiros. Em virtude de tais acontecimentos, foram criados os Parques de Monte Pascoal e a Estação Ecológica Pau Brasil.
A situação ataul é triste e assustadora, segundos dados obtidos por satélite, revelam que restam apenas 164.825 hectares de florestas, ou seja menos de 7% do que havia no ano de 1945. Durante todo este período a única área de preservação criada recetemente foi o Parque do Descobrimento no ano de 1999.
A Mata Atlântica do Sul da Bahia, tão densas nos anos 40, estão reduzidas a algo bem próximo do zero, em alguns casos, graças a uma irônica contradição, a exemplo do parque do Descobrimento, no Prado, que pegou fogo nos dias que antecederam o carnaval de 2001. O fato é lamentável, o que existia de mata foi aniquilado pelos madereiros. As áreas em que estavam as carvoarias proibidas pelo Ministério do Meio Ambiente e de onde se supõe que tenha tido origem o incêndio, são de caçamgue, nome dado ao mato que renasce no lugar da floresta original.


O Parque é um caso evidente de desvio de objetivos: o governo desapropriou as terras que pertenciam à empresa Brasil-Holanda (Bralanda), uma indústria madereira que fabricava laminados compensados para exportação e só colhia madeira madura, em 22 de abril de 1999 por decreto do então presidente em exercício, Marcos Marciel, sob o argunto de necessidade da preservação, mas ao invés disso, acelerou a devastação. A área passou para a tutela do IBAMA, conforme documento de posse registrado na Comarca de Ilhéus em 06 de setmbro do ano de 2000. Foi o maior presente para os ladrões de madeiras. As florestas simplesmente foram aniqulidas.
O Parque de Monte Pascoal, hoje sob o comando dos índios pataxós, na maior extensão de sua área de sua matas a devastação é de 100%.
Este desmatamento acelerado deu-se em decorrência da crise na região cacaueira com o surgimento da vassoura-de-bruxa, seguida de um longo período de estiagem que botou a produção do cacau a pique. O desmatamento foi decisivo para alteração climática e o indicador mais seguro é a agonia dos rios da região. Cada dia mais secos, são alvos de preocupações constantes, com o detalhe:
antes porque estimulava e hoje porque se omite, o governo sempre foi apontado como o grande vilão da história. Chegou a implantar, no início dos anos 70, alguns pólos madereiros na região, o maior deles, o Distrito Industrial de Itabela com 152 serrarias. Foi o fim.


A Mata Atlântica do Cacau no Sul da Bahia corta toda a microregião do cacau que conta com mais de 80 munícipios produtores de cacau na sua maioria implantadas em cabruca tendo com destaques as cidades de: Ilhéus, Itabuna, Gandú, Una, Itajuipe e Coaraçi.
É bom lembrar que isso faz com que as plantações de cacau incorporam a Mata Atlântica sendo por se só uma floresta natural.
Sendo que hoje o produtor de cacau tem uma outra visão de manejo e conservação da mata, uso controlado e cauteloso de insumos nos combates as doenças e pragas inclusive com plantios orgânicos de cacau e outros produtos. Não sabemos ao certo se por pressão ou precaução, já que os orgãos responsáveis por elaborações dos projetos ambientais pouco ou quase nunca se fazem presente em nosso Estado e região, manifestando-se apenas para coibição e punição aos agricultores de forma arbritraria na ocorrência dos menores delitos contra o meio ambiente.


e.mail: orlando@orlandocruz.com.br
 © agosto.2016 - orlandocruz.com.br
O autor trabalhou por um período de 8 anos junto a Biofábrica de Cacau, acompanhando todo o processo da clonagem de cacau desde o seu ínicio em acompanhamentos das experiências práticas, laboratórios e campos