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by:Cruz.Orlando

MONÍLIA DO CACAU - ( Moniliophthora roreri )

Monília

A monília ou moniliase outra importante efermidade do cacaueiro causado pelo fungo Moniliophthora roreri, (Ciferri) Evans et al, é tambem conhecida como Ceniza, Aguanosa, efermedad Pelúdica, Helada, Pasmo, Polvillo, Pringue, Mal de Quevedo, Pudriciónaquosa, Watery ou frosty pod rot, Moníliasis.
Recentemente, M. roreri foi reclassificado por Harry Evans (Evans etal al. 2002) como Crinipellis roreri devido a sua semelhança biótica com Crinipellis perniciosa.
Contudo como esta classificação está ainda em discussão continuaremos usando o mais conhecido nome de Moniliophthora roreri nesta explanação.

A monilíase é endêmica do noroeste da América Latina e foi registrada cientificamente pela primeira vez no Equador em 1917 na época da descoberta da vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa) (Stahel Singer] e do mal do fação [Ceratocystis fimbriata (Ellis & Halstead)]. Da região endêmica ou nativa (Equador), a doença foi disseminada para a Colômbia (1930), Venezuela (1941), Panamá (1949), Costa Rica (1978), Nicarágua (1980), Peru (1988) e Honduras (1997). A monialíse atualmente está confinada ao noroeste da América Latina e nações integrantes da América Central (Fig. 1). No Peru (Fig. 2), foi constatada na fronteira com equador, disseminando-se em pouco tempo por todas as regiões produtoras de cacau daquele país, exceto a região de Madre de Dios (perto da fronteira com o Brasil). Por tanto, ela é uma ameaça potencial aos outros países produtores de cacau, principalmente o Brasil. Por outro lado, a vassoura-de-bruxa ocorre praticamente na maioria dos países produtores de cacau da América Latina enquanto que a podridão parda é uma doença universal.


De modo geral tem-se observado que em países onde a vassora-de-bruxa mais cedo ou mais tarde a monília aparece. O mesmo fato também tem-se constatado em relação à monília, isto é, a vassoura-de-bruxa acompanha mais cedo ou mais tarde a monília - aonde a vaca vai o boi vai atrás.
A monilíase é considerda uma doença devastadora para o cacaueiro. O patógeno infecta somente os frutos em qualquer estado de desenvolvimento, contudo, os frutos de até 90 dias de idade são mais susceptíveis.
Por outro lado, não cause infecção na parte aérea do cacaueiro como acontece com a vassoura-de-bruxa que afeta todas as partes aéreas das plantas e pode até mata-la.
Os danos econômicos causados pela monília variam entre países e regiões onde ela existe. No Equador, seu efeito é difícil de distiguir da vassoura-de-bruxa que também causa danos nos frutos. Neste pais em 1914 a exportação de cacau chegou a 47 mil toneladas em uma área cultivada de 70.000 ha. Em 1933, após o estabelecimento da doença a produção caiu para 10.580 toneladas. Em algumas regiões 95% dos frutos foram atacados. Os efeitos combinados da monília e vassoura-de-bruxa provocaram o abandono da maioria das grandes fazendas que, posteriormente, foram substituídas por plantações de bananeira. Os agricultores desanimados começaram a vender suas propriedades para pagar suas dividas. Assim as grandes propriedades se transformaram em pequenas áreas. Por outro lado, até o final da década de 1930, algumas das grandes plantações equatorianas de cacau desapareceram devido ao forte ataque de mal-do-facão nos clones selecionados.


No Peru, a monília associada com a vassoura-de-bruxa e a podridão-parda provocam 90% de danos na produção de cacau. No caso da monília, os danos em áreas afetadas variam de 50 a 100%, o que causou o abandono de muitas fazendas. Informações recentes indicam que 88% das plantações peruanas estão afetadas pela enfermidade, somente as áreas de San alejandro, no vale do Ucayali; de Quillabamba até Cuzoco, no vale de Urubamba e Madre de Dios estão livres da enferminade. No entanto existe uma grande possibilidadede da doença chegar ao Brasil. A região de Madre de Dios está a uma distância de 600-700 km da fronteira com o Brasil no Estado do Acre ou amazonas
Esta distância é pequena para um patógeno eficiente que se dissemina através do vento e/ou cursos de água.
No Sul da Bahia, a incidência da vassora-de-bruxa e de podridã-parda é severa no centro sul da região cacaueira, em comparação a outras zonas, principalmente zonas de transiçã. Portanto, no caso de ataque de monília, as regiões mais afetadas pela vassora-de-bruxa e podridã parda teriam a menor incidência de monília e as outras regiões de escape da vassoura-de-bruxa seriam as mais afetadas.
Por outro lado, na Região Cacaueira do Sul da Bahia, ocorrem duas safras, temporã e principal, enquanto que nos outros países onde existe a monília, ocorre somente uma safra. Portanto na Bahia o impacto da monília será muito grande na produção de cacau. O manejo para seu controle será dificultado de acordo com a safra de cacau em diferentes regiões. Por exemplo, a produção de frutos da safra principal, que ocorre durante o período de inverno será mais afetada pela vassoura-de-bruxa e podridão-parda, enquanto que a safra temporã, que ocorre no verão, sera mais afetada por monília, principalmente no centro e sul, áreas que representam o coração da região cacaueira baiana. Todavia essas regiões, necessitarão pelo menos 5-6 aplicações de fungicidas em intervalos mensais para o controle dessas duas doenças, enquanto que para a proteção da safra temporã, com a presença da monília, serão necessárias 3-4 aplicações a mais de fungicidas para proteger ambas as safras contra as trés doenças, aumentando assim os custos da produção de cacau. É necessário observar que a estratégia para o controle dessas doenças dos cacaueiros dependerá do recurso financeiro disponível da produtividade da lavoura e da época de produção de cacau.
Agente CausalMoniliophthora roreri pertence à classe dos Basidiomicetos desconhecendo-se o seu estado sexual ou telemórfico. O fungo se caracteriza por possuir hifas hialinas, de paredes finas com presença de doliporo nos septos das hifas vegetativas de 1,5 a 5 micras de largura. Os conidióforos são simples ou ramificados (Fig. 3) e os conídios são de globosos a subglobosos (Fig. 4) medindo entre 8 a 15u de diâmetro, ou podem ser também elipsóides com tamanho entre de 8-20x5-14u. Os conídios so formam em cadeias com cerca de 2 a 30 unidades. O desenvolvimento dos conídios nas cadeias se efetua de forma bas‘peta, desta forma, cada conidióforo só libera conídios maduros situados no seu extremo, oferecendo uma contínua descarga de conídios.
Entre os fatores climáticos, a temperatura é o que mais favorece a epidemia de monilíase, ou seja, nas regiões mais quentes e umidas essa doença completa mais rapidamente seu ciclo biológico que em zonas frias. No caso da vassoura-de-bruxa, a chuva é o principal fator epidemiológico. A monília torna-se epidêmica em condições de umidade relativa acima de 80% e temperatura entre 25 a 30°C.