CACAU CLONADO

Clones:

Em se tratando da Lavoura Cacaueira Bahiana, a questão da sobrevivência econômica da atividade tem se agravado nos últimos anos.
A doença Vassoura-de-bruxa, (Crinipellis perniciosa)"Stahel" Singer, aqui identificada em 1989, bem como a ocorrência da doença podridão parda nos anos agrícolas 91/92 e 92/93; mas um longo período de estiagem 93/97, provocaram uma redução substancial na produtividade e que, associados à queda dos preços do produto no mercado internacional, resultaram na descapitalização dos produtores e, consequentemente, na aplicação insuficiente de recursos para manutenção da lavoura em padrões desejáveis.
Diante deste cenário a Lavoura Cacaueira exige a adoção de novos programas tanto do ponto de vista administrativo (relações humanas, gerenciais e comerciais) como do ponto de vista técnico (relação edafo-climáticas x plantas x manejo) de modo a continuar uma atividade econômica e socialmente adequada.
O gerenciamento eficaz e eficiente dos processos tecnológicos colocados a disposição dos usuários é um dos principais requisitos a serem preenchidos para assegurar o sucesso da modernização da cacauicultura.

Tipos de Clonagem
Clone: reprodução assexuada de uma planta.
O uso de variedades clonais para a reabilitação de plantas susceptíveis à vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Crinipellis perniciosa, é uma das estratégias adotada pelo Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira, para revertar, o mais rápido possível, o quadro de degradação em que se encontram as plantações nos pólos produtores de cacau da região Sul da Bahia.
Área de Produção
A Região Sul da Bahia possui uma área de 600.000 hectáres de cacau, 400.000 ha são formados por cacaueiros comuns suscetíveis a Vassoura-de-bruxa. Os 200.000 ha restante são compostos por árvores denomidadas híbridas, formadas a partir do cruzamento entre seleções locais (bahianas) feitas em lavouras de cacau comum com genótipos introduzidos da região amazônica e de outros países, ou resultantes de cruzamento entre estes últimos.
Tanto as seleções realizadas em cacaueiros comuns quanto os demais genótipos utilizados na produção de híbridos distribuídos para os produtores, são muito suscetíveis a vassoura-de-bruxa, salvo alguns híbridos que envolveram os clones Scavina ou aqueles derivados destes
As técnicas adotadas para o controle cultural e químico não têm trazidos os resultados esperados economicamente por serem de utilização frequente, o que resulta em custos elevados.
Dentre os procedimentos de melhoramento genético, o desenvolvimento de variedades clonais de cacau é o mais recomendado para propostas a curto prazo pois a propagação vegetativa permite a manutenção do valor reprodutivo integral do indivíduo, não ocorrendo meiose, segregação ou recombinação gênica.
No momento a clonagem de cacau, em escala comercial pode ser obtida utilizando-se as técnicas de estaquia e de enxertia. Levando-se em consideração, o protocolo para mutiplicação assexuada, utilizando-se a cultura de tecidos esteja disponível para aplicação comercial em um futoro próximo. Outras técnicas de propagação vegetativa como mergulhia e encostia não são recomendadas por serem muito onerosas e não permitirem o seu uso para obetenção de grandes quantidades de plantas.
Estaquia: é um dos mais antigos na cultura do cacau e tem sido utilizado em diversos locais e países, principalmente Equador, onde as mudas são produzidas por empresas especializadas. Em nossa região a Biofábrica de Cacau no município de Ilhéus-BA utiliza este método em produção de mudas em escala comercial.
Este método de clonagem apresenta como vantagem o tempo reduzido para produção de mudas - 6 meses - e a ausência de problemas de interação cavalo "versus" cavaleiro, principalmente no que se refere a incompatibilidade de tecidos.

Coclusão: Sendo um método que exige tecnologia mais aprimorada, o agricultor que decidir por sua utilização fica na dependência da produção de mudas por terceiros. A Biofábrica de Cacau.
Enxertia: Este método apresenta na sua execução a seguintes vantagens sobre a estaquia:
a)Requer tecnologia de fácil assimilação pelo produtor;

b) Permite a substituição das copas dos cacaueiros safreiros aproveitando o sistema radicular já desenvolvido, o que proporciona melhor sustentação e maior rapidez no desenvolvimento da nova planta.

Considerando-se que a enxeria permite o aproveitamento integral do patrimônio representado pelo sistema radicular amplamente desenvolvido nos cacaueiros safreiros, e que a enxertias nestes cacaueiros possibilita produzir uma nova planta economicamente produtiva em 04 anos, às práticas e métodos desenvolvidos permitirão ao produtor renovar sua lavoura com plantas safreiras e mais resistentes a Vassora-de-bruxa e complementar a modernização, com o adensado das áreas, utilizando mudas clonadas.

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O autor trabalhou por um período de 8 anos junto a Biofábrica de Cacau, acompanhando todo o processo da clonagem de cacau desde o seu ínicio em acompanhamentos das experiências práticas, laboratórios e campos
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FONTE: CEPLAC - Ministério da Agricultura e Reforma Agrária - Enxertia do Cacaueiro - 1998 - Manual Técnico - Pgs.01 a 42 -.
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